O que é CMV e como calcular o CMV do seu negócio
CMV é a sigla mais citada (e mais mal calculada) na gestão de restaurante, bar, padaria e confeitaria. Este guia explica o que ela mede, como chegar no número certo e onde o cálculo costuma errar.
Atualizado em 06/10/2026
O que é CMV
CMV é o Custo da Mercadoria Vendida: o valor que saiu do seu estoque, em custo de compra, para produzir tudo o que você vendeu num período. Farinha que virou pão, carne que virou prato, refrigerante que saiu da geladeira: tudo isso é CMV. Aluguel, salário, energia e as demais despesas fixas ficam de fora; CMV olha só para a mercadoria.
É o indicador mais direto de quanto sobra depois de pagar o que foi consumido para gerar a venda, a base sobre a qual se constrói a margem do negócio.
A fórmula e um exemplo de cálculo
CMV = estoque inicial + compras − estoque final
CMV % = CMV ÷ faturamento × 100
Escolha um período (a maioria usa o mês) e levante os quatro números:
- Estoque inicial: quanto valia o estoque, pelo custo pago, no primeiro dia do período.
- Compras: tudo o que entrou de mercadoria no período, pela nota do fornecedor.
- Estoque final: quanto sobrou, pelo mesmo custo, no último dia do período.
- Faturamento: o total vendido no mesmo período, para chegar no percentual.
Exemplo: um bar fechou o mês com R$ 5.400 em estoque, comprou R$ 14.200 de bebida e insumo, e terminou com R$ 4.100 em estoque. CMV = R$ 5.400 + R$ 14.200 − R$ 4.100 = R$ 15.500. Com faturamento de R$ 52.000 no mês, o CMV foi de 15.500 ÷ 52.000 × 100 ≈ 29,8%.
As faixas que você vai ver por aí
Calculou e ficou com a dúvida de sempre: "34% é bom?". Antes de responder, vale saber de onde vêm os números que circulam. As faixas abaixo não são nossas: são o que publicações do setor divulgam como referência, e cada linha só entrou aqui depois de bater com pelo menos duas delas, com a fonte no fim da linha para você conferir.
| Segmento | Faixa citada | Fontes |
|---|---|---|
| Pizzaria | 25% a 32% | BrasaHub, Takeat |
| Hamburgueria | 28% a 35% | Brendi, Takeat |
| Restaurante à la carte | 28% a 35% | SetorFood, Sischef |
| Bar | 20% a 30% | SetorFood, Brendi |
| Padaria (produção própria) | 28% a 40% | SetorFood, Sischef |
A faixa de padaria acima assume produção própria: pão, bolo e doce feitos na casa, que é o modelo que este guia descreve. Padaria que opera principalmente como revenda (bebida e industrializado comprados prontos, estilo loja de conveniência) tem estrutura de custo bem diferente: uma publicação do setor cita até 68% nesse modelo, quase o dobro, fora da faixa acima, e citada aqui sozinha porque não achei segunda fonte que confirme esse número específico.
Confeitaria não está na tabela de propósito: a única faixa publicada para ela não bate com nenhuma segunda fonte independente. Citar um número isolado como se fosse consenso seria inventar, não referenciar.
Para que isso serve: perceber se você está muito fora da curva. Se o seu CMV é 55% e tudo o que se publica do seu segmento fica perto de 30%, provavelmente existe algo a investigar: porção, desperdício ou preço.
Para que isso não serve: virar a sua meta. Um negócio pode estar acima da faixa e ser perfeitamente saudável se o ticket médio e o cardápio justificam: cardápio com proteína nobre e preço de venda à altura fecha a conta com um CMV que a tabela chamaria de alto. E dá para estar dentro da faixa perdendo dinheiro, se o resto da operação não fecha.
É por isso que a referência de mercado é ponto de partida, não objetivo. A próxima seção explica o que usar no lugar dela.
Não existe CMV ideal, existe CMV acompanhado
Todo dono de restaurante já ouviu um número mágico: "CMV bom é 28%", "CMV de padaria tem que ficar em 35%". Esses números circulam como referência de mercado, mas não servem de meta fechada para um negócio específico: cardápio, ticket médio, região e estratégia de preço mudam demais de um estabelecimento para o outro para um percentual único fazer sentido.
O que funciona é comparar o seu CMV com o seu próprio histórico. Calcule todo mês, no mesmo critério, e olhe a tendência: um CMV estável mês a mês diz que o negócio está sob controle, mesmo que o percentual em si não bata com nenhuma referência externa. Um CMV que sobe é o sinal de alerta, e o valor de acompanhar mês a mês é justamente pegar esse desvio enquanto ele ainda é pequeno, antes de virar um trimestre inteiro de margem perdida.
Erros comuns que inflam o CMV sem o dono perceber
- Desperdício não registrado: insumo que estragou, caiu ou foi descartado sai do estoque físico mas, se ninguém lançar essa saída, o sistema (ou a planilha) continua achando que ele ainda está lá, e o estoque final contado bate diferente do esperado, distorcendo o CMV do mês.
- Contagem de estoque final por estimativa: "chutar" o estoque final em vez de contar de verdade é o erro mais comum, e o mais silencioso, porque o CMV sai errado sem nenhum aviso.
- Ficha técnica desatualizada: fornecedor reajusta o preço do insumo, mas a ficha técnica do prato continua com o custo antigo. O prato passa a custar mais do que o sistema mostra, e isso só aparece quando o CMV real (pelas movimentações de estoque) diverge do CMV esperado (pela ficha).
- Porção servida maior que a ficha técnica: cozinha que serve "olho" em vez de pesar consome mais insumo do que a ficha técnica prevê, período após período.
- Período incompatível entre estoque e faturamento: contar o estoque num dia e pegar o faturamento de um intervalo diferente (por exemplo, fechar o estoque no dia 28 mas somar venda até o dia 30) desalinha o cálculo inteiro.
Identificou o erro? Veja como agir para reduzir o CMV.
Perguntas frequentes
CMV alto é sempre ruim?
Não necessariamente. Um CMV mais alto pode ser escolha de posicionamento (cardápio com proteína nobre, por exemplo) compensada por um preço de venda mais alto também. O problema é CMV alto sem essa contrapartida no preço, ou CMV que sobe mês a mês sem explicação.
Qual a diferença entre CMV e markup?
CMV mede quanto do faturamento virou custo de mercadoria. Markup é o caminho inverso: a partir do custo do prato, quanto multiplicar para chegar no preço de venda. Os dois usam o mesmo custo como base, mas um olha para o período inteiro e o outro para um item do cardápio.
Com que frequência devo calcular o CMV?
Mensal é o mínimo para enxergar tendência. Negócio com fluxo de caixa apertado ou insumo muito perecível (padaria, açougue) se beneficia de olhar semanal, porque o desvio fica visível antes de virar prejuízo acumulado de um mês inteiro.
O que fazer quando o CMV sobe de um mês para o outro?
Primeiro descarte erro de contagem: um estoque final mal contado desloca o CMV inteiro. Depois compare com o mês anterior item a item: fornecedor reajustou preço, ficha técnica ficou desatualizada, ou o desperdício simplesmente não está sendo registrado.
O CMV entra bebida e embalagem?
Bebida sim, é mercadoria vendida. Embalagem (saco, marmita, guardanapo) normalmente entra como custo operacional à parte, não como CMV, mas alguns negócios de delivery escolhem incluir por pesar bastante no custo do pedido. O importante é manter o critério igual todo mês, senão a comparação perde sentido.
Preciso de sistema para calcular CMV?
Não, dá para calcular em planilha com os quatro números da fórmula. O que o sistema resolve é o trabalho de chegar até esses números: registrar entrada, saída e desperdício um a um, mês inteiro, sem perder nenhum.
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Tem padaria? Veja o guia específico de CMV de padaria.
Tem pizzaria? Veja o guia específico de CMV de pizzaria.
Tem hamburgueria? Veja o guia específico de CMV de hamburgueria.
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